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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Madame Mina



Seu olhar já falava por si só.
-        Preciso de um favor seu Pierre. – Mina estava sempre com a mesma postura requintada e séria.
-        O que a madame quiser, sabe bem que estou sempre a suas ordens. – o funcionário exemplar não passava do motorista da madame. Mina disse algumas palavras sussurradas em seu ouvido, as quais o motorista atendeu prontamente.
-        A suas ordens, madame Mina. Vou preparar o carro. – e saiu apressado a arrumar o carro para a viagem.
O interesse real de Mina estava em uma pasta que continha alguns de seus segredos mais resolutos. Precisava resgata-la antes que chegasse aos ouvidos de seu marido, ou qualquer coisa parecida. Apressou-se ao entrar no carro.
-        Corra Pierre, não tenho tempo a perder! – e o motorista obediente acelerou o belo volvo preto. Chegaram dali a pouco em um dos pontos da periferia.
-        Pare aqui Pierre.- A madame esperou seu empregado vir abrir sua porta. – Fique aqui. Eu não devo demorar.
-        Mas señora... – O sotaque argentino do motorista continuava ainda um pouco forte, apesar dos anos de estadia no Brasil.
-        Não precisa me acompanhar Pierre, nada vai me acontecer, pode ficar tranqüilo. – O olhar sério de Mina o tranqüilizou.
-        Sim señora.
Mina entrou por um beco imundo. Pessoas a olhavam com olhares reticentes, já a conheciam dos noticiários, mas nunca imaginariam que ela algum dia estaria ali. Mina parou em frente a uma casa de madeira, era muito pobre e suja. Deu duas batidas na porta.
-        Entre minha querida. – disse uma voz, vinda de dentro da casa. Mina entrou sem surpresa.
-        Sabe por que estou aqui Eduardo? – ela continuava com o semblante sério.
-        Sim. – Eduardo lhe mostrou um envelope, aquele que continha todas as provas do adultério de Mina. Eduardo estava sentado atrás de sua mesa.
-        Me entregue isso! – Mina se lançou em cima da mesa com o intuito de alcançar o envelope. Eduardo a parou, segurando firmemente um de seus braços. Mina soltou-se com um safanão.
-        Seu safado. Quanto quer? – Mina abriu a bolsa e tirava um talão de cheques.
-        Você sabe bem que não é quanto, mas o que... – Eduardo era o tipo de homem cafajeste, que faria qualquer coisa por um rabo de saia. Passou a mão pelo rosto de Mina, que em reflexo afastou rapidamente o rosto. – Calma querida, quando tudo isso acabar, estaremos todos felizes: Você com seu envelope e eu, bem... Você sabe.
-        Nada disso. Ou me entrega o envelope e se contenta com o dinheiro, ou, morre. – Mina não demonstrava reação nenhuma ao que ela mesma dizia, já Eduardo ficou surpreso.
-        Seria mesmo capaz? – Mina mostrou-lhe o quão capaz era, tirando a arma de dentro da bolsa.
-        Você não me conhece Eduardo. – Apontou-lhe a arma.
-        Está bem. – Com um sorriso um tanto constrangido e meio amedrontado, Eduardo aceitou o cheque. Entregou o envelope. – Não precisava ser desse jeito, minha Mina.
-        Agora é tarde, Boa noite, Ed. – um disparo certeiro foi suficiente. Mina escondeu o revolver em um pano negro e o colocou novamente dentro da bolsa. Saiu da casa com naturalidade.
-        Vamos Pierre? – ela disse, colocando a bolsa em um canto.
-        Tudo certo señora? – perguntou o motorista, dando partida.
-        Sim, sim, só mais um assunto resolvido. – Mina pela primeira vez mudara seu semblante, dera um singelo sorriso ao motorista.