Tudo começa quando abro o caderno e pego a caneta. Tento pegar a caneta, seria mais correto. Imensa dificuldade para te-la em meu domínio, já que ainda não estou adepta ao fato de que sou apenas uma camada fina de moléculas de carbono, que unidas formam uma espécie de manto, um manto fino e frágil, com forma humana. É como se eu, Annelize Crown, tivesse morrido e virado água. A água é tão volatil como o manto que visto. Tão difícil de se ter como a caneta. Muito fácil de escapar.
Como a água, para conseguir ter qualquer coisa que queira em meu domínio, preciso me concentrar e encontrar a nascente, o meio, o raio, e bem nesse exato lugar é que vai existir a estabilidade, para que eu consiga o poder do toque. É como se você desse um soco na água. Provavelmente ela iria jorrar para todos os lados, mas, se você der apenas um tapa, rápido e certo com a palma de sua mão, a água não se espatifará em gotas, por que no meio existe a estabilidade.
A água. Ela define perfeitamente o que é estar nessa forma, tão indefinida e instável, assim como eu. Poltergeist.


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