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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Presas da verdade



-        Eu não gosto de você! – ele me abraçava forte enquanto eu dizia essas palavras.
-        Ah, pare com isso, engraçadinha. – odiava quando ele tornava aquilo uma comédia. Meu semblante sério continuava ali, para que ele o visse e acreditasse.
-        Pare de me abraçar, isso me irrita! – afastava seus braços inutilmente, pois estes continuavam ali, enlaçados ao meu redor.
-        Por que se faz de arisca? Eu sei que no fundo você não é assim. – O garoto estúpido que se considerava meu melhor amigo agora emaranhava meus cabelos.
-        Seu estúpido! O que está fazendo? – arrumava meus cabelos desfazendo os nós.
-        Não fique nervosinha! – A coisa que eu mais odiava em todo o mundo é que dissessem a blasfêmia que acabara de ouvir.
-        Cala boca, eu não estou nervosa! Se você está incomodado saia de perto, eu faria bom proveito da sua distancia, você me incomoda, muito!
-        Não vou sair. Eu gosto da sua companhia, por mais que você seja essa chatinha. – Ele fazia caretas enquanto uma fúria desastrosa começava a surgir e querer explodir dentro de mim. Odiava quando as pessoas falavam no diminutivo.
-        Eu te odeio! – Dava tapas e empurrões no detestável menino.
-        Pare, pare, eu sei que é assim que você demonstra seu carinho, mas já está me machucando... – ele dizia, tentando se esquivar.
-        É para fazer sangrar mesmo! – me levantei furiosa – Que desgraça eu devo ocasionar na sua vida para que você entenda, de uma vez por todas que eu te odeio?
-        Eu nunca vou acreditar nisso. Simplesmente porque sei que é mentira. – ele continuava com as caretas.
-        Eu te adoro, você é muito querido pra mim!Agora acha que estou mentindo?
-        Você está falando a mais pura verdade. – cai com as mãos ao rosto. Não sabia como faze-lo crer no que dizia, ele me irritava.
     -    Você vai continuar até quando preso por essa verdade que só você acredita? – ele se calou. Era hora de entender que a mentira era aquilo que ele continuava a acreditar. 
E é assim que pessoas acabam sendo presas de uma verdade em que só elas acreditam...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Annelize



Tudo começa quando abro o caderno e pego a caneta. Tento pegar a caneta, seria mais correto. Imensa dificuldade para te-la em meu domínio, já que ainda não estou adepta ao fato de que sou apenas uma camada fina de moléculas de carbono, que unidas formam uma espécie de manto, um manto fino e frágil, com forma humana. É como se eu, Annelize Crown, tivesse morrido e virado água. A água é tão volatil como o manto que visto. Tão difícil de se ter como a caneta. Muito fácil de escapar.
Como a água, para conseguir ter qualquer coisa que queira em meu domínio, preciso me concentrar e encontrar a nascente, o meio, o raio, e bem nesse exato lugar é que vai existir a estabilidade, para que eu consiga o poder do toque. É como se você desse um soco na água. Provavelmente ela iria jorrar para todos os lados, mas, se você der apenas um tapa, rápido e certo com a palma de sua mão, a água não se espatifará em gotas, por que no meio existe a estabilidade.
A água. Ela define perfeitamente o que é estar nessa forma, tão indefinida e instável, assim como eu. Poltergeist.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O que vale a pena?

Texto para o terceiro creare-textual


Como é bom sentir esse vento batendo no rosto! Toda essa liberdade que posso sentir quando abro os braços e me lanço ao universo para que ele me acolha. Deixo todos aqueles pensamentos mesquinhos saírem da mente, procuro refugio na noite, na areia, na água e em seus braços, a luz do luar, que brilha mais esta noite. Com meus pés descalços sinto a vastidão da natureza e me deixo levar... Ah como é bom sentir-se livre! Ter a certeza que naquele momento não preciso de mais ninguém, pois tudo que necessito está lá. O tempo para nesse momento! Mas como pode o tempo ser tão doido? Ou será que sou eu? Sinto que quando estou contigo ele para e quando estou longe ele voa, acho que nós temos o nosso próprio tempo, e fazemos bom proveito dele. Então me abrace forte agora e não diga nada, não é preciso dizer, diria até que é perda de tempo dizer algo quando se pode sentir. Vamos continuar vivendo a vida do jeito que for, nos divertir o quanto podemos, nos permitir só mais um momento, curto que seja, já é suficiente para fazer que pare por uma eternidade finita. Vamos nos permitir viajar por segundos, estes ao alcance do olhar. Prometo, dou a palavra que nunca me arrependerei de ter gasto esse nosso próprio tempo  ao seu lado. Então, o que está esperando para vir ficar perto de mim? Não pense, apenas sinta.

domingo, 12 de setembro de 2010

Diário secreto de Christine Evans


Nunca me apaixonei. Nunca. Não há em minha memória qualquer lapso em questão que me recorde de um sentimento funesto consumindo com todas as minhas energias. Gosto de pensar que não estou perdendo nada, mas é um tanto deprimente tal declaração quando me vejo com exatos 17 anos, sem ter nem ao menos experimentado desse vinho envenenado, em um cálice de cristal. Não vou me queixar de nunca ter arrumado um namorado, este não foi o problema, tive muitos deles, mas nenhum fez surgir o sentimento intrépido denominado amor.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Madame Mina



Seu olhar já falava por si só.
-        Preciso de um favor seu Pierre. – Mina estava sempre com a mesma postura requintada e séria.
-        O que a madame quiser, sabe bem que estou sempre a suas ordens. – o funcionário exemplar não passava do motorista da madame. Mina disse algumas palavras sussurradas em seu ouvido, as quais o motorista atendeu prontamente.
-        A suas ordens, madame Mina. Vou preparar o carro. – e saiu apressado a arrumar o carro para a viagem.
O interesse real de Mina estava em uma pasta que continha alguns de seus segredos mais resolutos. Precisava resgata-la antes que chegasse aos ouvidos de seu marido, ou qualquer coisa parecida. Apressou-se ao entrar no carro.
-        Corra Pierre, não tenho tempo a perder! – e o motorista obediente acelerou o belo volvo preto. Chegaram dali a pouco em um dos pontos da periferia.
-        Pare aqui Pierre.- A madame esperou seu empregado vir abrir sua porta. – Fique aqui. Eu não devo demorar.
-        Mas señora... – O sotaque argentino do motorista continuava ainda um pouco forte, apesar dos anos de estadia no Brasil.
-        Não precisa me acompanhar Pierre, nada vai me acontecer, pode ficar tranqüilo. – O olhar sério de Mina o tranqüilizou.
-        Sim señora.
Mina entrou por um beco imundo. Pessoas a olhavam com olhares reticentes, já a conheciam dos noticiários, mas nunca imaginariam que ela algum dia estaria ali. Mina parou em frente a uma casa de madeira, era muito pobre e suja. Deu duas batidas na porta.
-        Entre minha querida. – disse uma voz, vinda de dentro da casa. Mina entrou sem surpresa.
-        Sabe por que estou aqui Eduardo? – ela continuava com o semblante sério.
-        Sim. – Eduardo lhe mostrou um envelope, aquele que continha todas as provas do adultério de Mina. Eduardo estava sentado atrás de sua mesa.
-        Me entregue isso! – Mina se lançou em cima da mesa com o intuito de alcançar o envelope. Eduardo a parou, segurando firmemente um de seus braços. Mina soltou-se com um safanão.
-        Seu safado. Quanto quer? – Mina abriu a bolsa e tirava um talão de cheques.
-        Você sabe bem que não é quanto, mas o que... – Eduardo era o tipo de homem cafajeste, que faria qualquer coisa por um rabo de saia. Passou a mão pelo rosto de Mina, que em reflexo afastou rapidamente o rosto. – Calma querida, quando tudo isso acabar, estaremos todos felizes: Você com seu envelope e eu, bem... Você sabe.
-        Nada disso. Ou me entrega o envelope e se contenta com o dinheiro, ou, morre. – Mina não demonstrava reação nenhuma ao que ela mesma dizia, já Eduardo ficou surpreso.
-        Seria mesmo capaz? – Mina mostrou-lhe o quão capaz era, tirando a arma de dentro da bolsa.
-        Você não me conhece Eduardo. – Apontou-lhe a arma.
-        Está bem. – Com um sorriso um tanto constrangido e meio amedrontado, Eduardo aceitou o cheque. Entregou o envelope. – Não precisava ser desse jeito, minha Mina.
-        Agora é tarde, Boa noite, Ed. – um disparo certeiro foi suficiente. Mina escondeu o revolver em um pano negro e o colocou novamente dentro da bolsa. Saiu da casa com naturalidade.
-        Vamos Pierre? – ela disse, colocando a bolsa em um canto.
-        Tudo certo señora? – perguntou o motorista, dando partida.
-        Sim, sim, só mais um assunto resolvido. – Mina pela primeira vez mudara seu semblante, dera um singelo sorriso ao motorista.  

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Adeus





Não bastava apenas ir embora e lhe dizer adeus. Tinha que dar a última olhada, que seria quase como o pedido para voltar se você o retribuísse da mesma forma. Porém, não dessa vez. Você já ia longe quando meus olhos atentos lhe procuravam incessavelmente. Não há lágrimas para chorar por você, mas, não há mera indiferença, você fez seus estragos por aqui, entendo que já esteja na hora de partir e acabar com isso. Não há tristeza nem felicidade, apenas o sentimento de alivio. Pela primeira vez eu poderia respirar, não havia mais aquele que me sufocava. Não que eu não quisesse você por perto, mas a liberdade me soava melhor nesse momento. Apenas nesse momento, pois eu sei que logo que eu sentir sua falta vou querer voltar, sei também que já vai ser tarde demais.  

Tendência assassina

Já que todos tem seu lado macabro rs


Acordei com essa maldita tendência assassina. Olhares fixos, se contorciam para decifrar meu rosto, vozes emudecidas que não necessitam ser proferidas para entendermos seu significado. Por que isso não sai da minha cabeça? As pessoas já me olhavam diferente. Por que eu não consigo mudar essa cara?! Um segundo se passa e o semblante volta ao normal, a máscara se coloca em seu lugar. Por mil diabos! Que mania é essa de querer que todos sumam? É apenas mais um pouco de rancor guardado, que se acumula e precisa ser liberado alguma hora. Passa uma, duas horas, ainda o desejo de fazer sangue jorrar por entre as paredes imundas do colégio.Vou até a cozinha, esta permanece deserta como da primeira vez que estive ali. Retiro a adaga da gaveta mais alta. Brilha, engrandece o ser que a carrega. Com as mãos cobertas por aquele líquido vermelho e denso, acabo sendo descoberto:
-        Menino! Mas que diabos você fez?! – o inspetor me observava incrédulo, imaginando as coisas terríveis que se passaram naquele lugar.
-        E...Eu precisava extravasar em alguma coisa. Desculpe. – as mãos cobertas com aquela gosma vermelha foram até a boca. Lambi os dedos. O inspetor me olhava agora com certa indignação e buscava em todos os cantos da vasta cozinha a prova do crime.
-        Aonde está? – o inspetor gritou, quase em desespero. Olhei para baixo por instante, resposta a pergunta do inspetor. Ele se aproximou rapidamente.
-        Mas que... – Ele parou em frente a mim. Sua face indignada transformou-se em segundos. Ele entendera o que ali se passava.
-        Geléia de morango tio! – Ofereci o pote e ele sentou-se ao meu lado, devorando a geléia junto comigo.


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Selo de premiação (sem mérito algum) do projeto creare:

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Arrependimento...


Aonde foi minha lucidez? E todas aquelas idéias de fazer o certo, ir com calma e pensar duas vezes antes de fazer qualquer besteira? O arrependimento machuca. Bendita frase que diz: “Se arrependimento matasse...”. Preferia agora estar morta e enterrada a sete palmos abaixo da terra ao invés de ter que me lembrar dos erros que cometi no passado. Passado obscuro. O pior é ser lembrada a todo o momento que eu cometo erros, sempre os mesmos, e por pura mediocridade. Às vezes nem as lágrimas são suficientes para aliviar o peso e a dor do arrependimento.