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terça-feira, 31 de agosto de 2010

E esse tal de amor?!

E esse tal de amor... Não sei direito como te perguntar isso, mas, como funciona? Eu sei que todo mundo diz muitas coisas a respeito, do tipo: “Faz seu coração bater mais rápido”; “Te faz suar frio”; “Te dá tremedeira só em ver a pessoa”. Será que é isso mesmo? E se eu me apaixonasse e não me sentisse assim, não seria paixão ou amor? Por que motivos todos criam uma definição para o indefinível?! Eu acho que o amor não é qualquer coisa que se possa rotular ou colocar um título bonito para soar como verdadeiro, mas quem sou eu para dizer algo sobre o amor se eu mesma nunca me senti assim? Chega de elaborar questões sem resposta. Queria é saber como é sentir-se desse jeito que quase todos se sentem. Aquilo que todos dizem ser padecer no paraíso. É só a mania de querer apressar o que não pode ser apressado, fazer correr o tempo do relógio. Enquanto eu não descubro o que essa palavra de apenas quatro sílabas e com um milhão de significados diz, eu aceito a definição de Camões:

“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?".

                                               Luís Vaz de Camões 

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