Tristeza.
A forma pacata de dizer que não se sente bem, que nada no mundo, por mais engraçado que possa parecer, não lhe arrancará um sorriso, não te fará feliz, exatamente porque o que sente é o antônimo de felicidade.
Tristeza.
Que nos torna prisioneira, que enlouquece e destrói a alma. Faz com que o corpo sucumba não suportando a mágoa devassa e avassaladora, enclausurada dentro dum peito consumido por amarguras.
Tristeza.
Fruto da maldade inverossímil, veio se colocar mediante ao meu sorriso, fazendo o espírito do mais forte dos homem pestanejar a dor causada por ti. Fico a fugir de minha própria demência, causadas não apenas pela tristeza, mais pelo medo, obscuro e decrépito que nunca termina.
Tristeza.
Que me torna caçada pelo ódio, que insiste em atordoar a alma já gasta e ferida, daquele que não mais suporta tanta dor. Vem encher de veneno as veias entorpecidas por onde corria a vida, dilacerada por amor.
Tristeza.
Maldita seja! Angústia que não dissolve com o tempo, que não se acaba com a tempestade nem o vento, torna fraco o mais forte, e sofrido o mais feliz...
Maldita seja! A angústia do peito, que só se esvai em leito fúnebre, para quem lho tem direito!
M. Sprenger

